quarta-feira, 7 de março de 2012

no infinito azul de castro alves.

bem como esperado, depois do carnaval chegou o ano novo. e passado o período de arrumação e adaptação, é chegado o fim das férias de verão e, com ele, o início de meus - ainda poucos - compromissos estudantis. 

toda a programação do meu dia de ontem girou em torno da minha matrícula no mestrado. me organizei para tomar um café reforçado, sair de casa cedo e evitar o congestionamento da paralela, ir ao shopping e ao banco para gerar boleto e pagar a taxa de matrícula, imprimir meu caminho do google maps e almoçar num lugar agradável para então seguir rumo ao meu mais novo templo de descobertas e pesquisas. desejei que tudo saísse exatamente do meu jeito e no meu tempo, assim estaria facilmente radiante e disposta a fazer daquilo um ritual simples e prazeroso.


o CEAO (centro de estudos afro-orientais) fica no largo dois de julho, no centro da cidade de salvador. é tradicionalmente um bairro de classe média que desfruta dos prazeres visuais da baía de todos os santos. fala-se que por lá já perambularam gregório de mattos e castro alves que, dias antes de partir desse plano, na sua casa próxima ao largo, declarou: quero morrer olhando o infinito azul. o largo foi passagem das tropas do exército em 2 de julho de 1823, dia da independência da bahia.

é debruçada ao infinito azul de castro alves que pretendo gastar meus dias entre as descobertas de um mundo novinho que se apresenta aos meus olhos a partir da semana que vem. além da ansiedade e o frio na barriga, me vem sempre uma sensação de sorte e merecimento por ter a oportunidade de viver essa experiência intensa num campo tão rico e acessível, onde tudo se entrelaça, faz sentido e reflete na história de todo um país. 


depois de matriculada, desci a escadaria do prédio e respirei a brisa da praça. foi então que tirei algumas fotos e comprei um picolé de limão para gastar o tempo. na volta pra casa, passei pelos lindos bairros vitória, graça, barra, ondina e cheguei no meu rio vermelho antes do cair da tarde, ainda em tempo de ver os pescadores aposentarem, no período da noite, os seus barquinhos coloridos.

foi o negro que viu
a crueldade bem de frente
e ainda produziu 
milagres de fé no extremo ocidente. 

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 milagres do povo - Caetano Veloso.

3 comentários:

  1. A composição da imagem, como você percebe e descreve pro mundo as coisas que vê e sente... É muito gostoso te ler, Caroline.

    Em ambos os sentidos.

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  2. Concordo com o comentário da dududa! *by the way, um xero no oi"* . Babo com a tua simplicidade e romantismo nas descrições da tua terra. =*

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  3. Sabe que eu não sou fã de ler né? Mas tem uns blogs... que valem a pena! Juro que não tô puxando o saco, porque eu não sou disso! (Duda sabe).
    Adoro seu blogzinho. Beijos...

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