sexta-feira, 30 de março de 2012

no meu rio vermelho tem: arte livre.

foi quando salvador completou 463 anos que eu recebi um bilhetinho da minha vizinha do 203 que, educadamente, me avisava que meus dois cachorros tinham passado a madrugada choramingando a minha falta. 
entrei em casa, li e reli aquela nota escrita num pedaço de conta de luz, olhei pra cara dos dois elementos de alta periculosidade e decidi que iria levá-los para um passeio diferente: fotografar o rio vermelho.

fazia um dia lindo lá fora, com um céu de poucas nuvens. coloquei o essencial no bolso, carreguei a câmera e desci a ladeira da minha rua que dá exatamente no largo do acarajé da Dinha. porém, antes que eu chegasse ao largo, fiz o caminho que obrigatoriamente fazem os carros: dobrei à direita em uma das minhas ruas preferidas na cidade. não sei seu nome, mas não deve ter nome de gente importante; é uma ladeira simples, que está ali para levar os carros à orla sem que tenham que passar pelo caos boêmio do bairro. ela é pequena, estreita e só tem um sentido. tem uma sinaleira e uma vista linda da parte caprichosa do mar, onde ficam aqueles barquinhos coloridos que já citei por aqui. 

é basicamente sobre essa rua que falarei por hoje, através de imagens. é preciso umas três ou quatro publicações para descrever os motivos da escolha pelo rio vermelho, mas eu devo começar por algum lugar. pela sinaleira, pela vista privilegiada do mar, pela fotografia da rua e pelo grafite


por toda a rua podemos encontrar vários símbolos grafitados nas paredes, mas é quando paramos na sinaleira que dá pra apreciar algumas dessas artes que se dividem entre denúncia, sincretismo, crítica, devoção, alegria e fé. algumas querem te dizer algo e outras tem a intenção de embelezar o contexto da paisagem. esse tipo de grafite está presente em diversas partes do bairro e também da cidade de salvador, basta ter sensibilidade para olhar e realizar o que aquilo significa pra você. ou simplesmente apreciar, se nada significar. garanto que o sinal verde não vai demorar de chegar e o seu dia ficará, com certeza, mais leve. 
eu conto com isso para encher meu dia de axé. quando posso optar por um caminho, prefiro descer a ladeira de muita arte com uma pitada de mar. e logo, ao seguir meu caminho da direita ou da esquerda, fico com todo o resto do mar e levo o essencial da arte. 

do lado direito do muro da ladeira, eis o meu favorito:


é com ele que me despeço do meu primeiro post sobre o rio vermelho.
vem mais por aí! fiquem comigo!  

quem sabe de mim sou eu
aquele abraço.

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 aquele abraço - Gilberto Gil.

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