a exposição de Rodin toma espaço em Salvador há quase 3 anos. ao completar esse tempo, ela dá adeus ao solo baiano e volta aos ares europeus. antes que isso acontecesse e eu pudesse ter um ataque irreversível de arrependimento, tomei dois goles de vergonha na cara e fui até o bairro mais charmoso da capital baiana - chamado Graça - para conferir duas maravilhas: a obra desse gênio e o lindo casarão do Palacete das Artes.
a exposição é aberta ao público e conta com uma estrutura incrível de organizadores e informações que fazem com que a visita seja, no mínimo, muito informativa e agradável.
o casarão foi construído em 1912 e é herança da família Catharino, que, com o passar do tempo, deixou de pagar os impostos e perdeu o espaço para o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia. sem mexer na estrutura e na composição do lugar, o governo fez diversas restaurações e manteve a originalidade e o charme da construção. existe um espaço destinado à história da família e os feitos do Comendador Bernardo, o patriarca.
do lado de fora do casarão, podemos ver quatro replicas de bronze de obras do artista que foram adquiridas pelo governo e doadas para o palacete. além disso, tem um café super fofo e outros espaços para exposições (aguardem minhas palavras e impressões sobre o Bel Borba por esse cantinho) que acontecem por lá.
como de costume, as peças originais não podem ser fotografadas. nem o casarão. devo confessar que fiquei bem mais arrasada em não poder fotografar os vitrais do casarão do que as obras, já que essas estão disponíveis na internet para quem quiser ver.
''o pensador'' e ''o beijo'' são as duas obras mais devoradas pelos visitantes. são de encher os olhos. eu já tinha tido oportunidade de ver ''o beijo'' na minha temporada na Europa, mas ainda não tinha me deparado com o enorme homem sentado, apoiando o queixo no braço direito e na perna esquerda. seu tamanho chama muita atenção e me deixou boquiaberta por uns instantes. sentei a sua frente e tentei respirar um pouco daquela meditação profunda e intrigante. porém, a obra que me deixou completamente apaixonada - e que eu sequer conhecia, foi ''a defesa''. o grito do anjo com um soldado machucado à sua frente é, para mim, a escultura mais forte e expressiva de Rodin.
você que tem a oportunidade de visitar a exposição antes de sua partida, tome duas doses de vergonha na cara também e vá correndo ao casarão do Palacete das Artes. tenha certeza de que não vai se arrepender de visitar essas três maravilhas: o bairro, o casarão e a exposição.
o mundo não será feliz a não ser quando todos os homens tiverem alma de artista, isto é, quando todos tirarem prazer do seu trabalho.
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♥ Auguste Rodin.

Resenha maravilhosa, Carol! Um mimo! Deu muita vontade de ir.
ResponderExcluir:***
Se eu já queria ter ido antes de ler isso,
ResponderExcluiravalie agora.
#sofro